| SUGESTÃO
DE PAUTA:
AMBIENTALISTAS COBRAM DO ESTADO INVESTIMENTO DOS RECURSOS ARRECADADOS
PELA CEDAE DE R$ 1 BILHÃO AO ANO E CONDENAM PROPOSTA DA SECRETARIA
ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE QUE TRANSFORMA CANAIS E VALÕES
EM FOSSA DE ESGOTOS
INSTITUTO VAI SOLICITAR AO NOVO PREFEITO DO RIO QUE AMPLIE PARCERIAS
DE INVESTIMENTOS EM SANEAMENTO AMBIENTAL E TRATAMENTO DE ESGOTOS
PARA ECONOMIZAR GASTOS COM SAÚDE PÚBLICA
A
proposta da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Rio de Janeiro
de priorizar investimentos no sistema de estações
de "tempo seco" tem recebido duras críticas de
técnicos e ambientalistas que condenam a continuidade do
lançamento de esgotos em canais e riachos.
Segundo
o ambientalista Sérgio Ricardo, Diretor do Instituto Mobilidade
e Ambiente Brasil, "a Natureza e os corpos hídricos
não podem ser mais tratados pelos governantes como uma fossa
se esgotos ou latrina a céu aberto". O Instituto cobra
do governo do estado a conclusão das obras do PDBG (Programa
de Despoluição da Baía de Guanabara) que recebeu
financiamento internacional do Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID) no valor de mais de US$ 1 bilhão e, até hoje,
passado 13 anos do início das obras (1995), diversas Estações
de Tratamento de Esgotos não foram concluídas ou simplesmente
não estão em operação, deixando de tratar
grande volume dos esgotos que são lançados in natura
em canais, valões, nas praias e nas águas da Baía
de Guanabara, colocando em risco a saúde da população.
Sequer o governo estadual cumpriu a contrapartida acertada com o
BID que previa investimentos em ampliação da rede
de esgotos e conclusão das obras.
Outra
proposta defendida pelo Instituto é a alocação
prioritária da maior parte da arrecadação da
CEDAE no tratamento de esgotos já que a empresa arrecada
por ano R$ 1 bilhão e historicamente investe por ano menos
de 2% em saneamento.
"Ao invés de perpetuar a poluição e oficializar
o lançamento dos esgotos sem tratamento nos canais, lagoas,
baías e rios, a CEDAE deveria destinar a maior fatia de seu
faturamento anual para construir estações de tratamento
de esgotos para solucionar em definitivo o enorme déficit
sanitário existente.
Infelizmente, a CEDAE é a maior poluidora das lagoas, rios
e das Baías de Sepetiba e de Guanabara já que cobra
pelo tratamento de esgotos e não faz este serviço
adequadamente".
O
Estado anunciou que pretende investir apenas R$ 100 milhões
por ano em obras de saneamento nas estações de "tempo
seco" e em sistemas convencionais, o que é considerado
insuficiente e limitado diante do enorme passivo ambiental das lagoas
da cidade e das Baías de Guanabara e Sepetiba.
O
ecologista considera que a proposta da Secretaria Estadual de Meio
Ambiente "é tecnicamente equivocada já que uma
das particularidades da Cidade do Rio de Janeiro é a sua
elevada pluviosidade. Além disso, teríamos sucessivos
verões do côco, com forte impacto na indústria
do turismo e esvaziamento da rede hoteleira, já que as chuvas
se concentram nos períodos de primavera e verão, quando
o fluxo turístico é maior. A proposta é atrasada
já que não leva em conta que o grande volume de água
de chuva dos períodos de enchentes e cheias tendem a se intensificar
com os impactos provocados pelo aquecimento global, como já
vimos este ano. As estações de "tempo seco"
são inapropriadas para uso em dias de chuva, já que
o aumento do volume de água faz o esgoto transbordar".
"Trata-se
de uma meta eleitoreira e enganosa da população que
continuará a sofrer com a poluição das praias,
lagoas e baías, já que aumentará a estatística
e a taxa de esgoto coletado, no entanto isso não vai significar
tratamento dos esgotos. Como é uma solução
temporária e precária, além de cara, trata-se
de uma propaganda enganosa!", alertou o ecologista que pretende
acionar o Ministério Público e a Procuradoria Geral
da República já que a Secretaria Estadual de Meio
Ambiente e a CEDAE estariam desrespeitando a Lei Federal dos Crimes
Ambientais (9605/98) e a Resolução CONAMA No. 357/2005
que determinam o padrão de qualidade dos efluentes antes
do lançamento nos corpos hídricos.
Outra proposta que será encaminhada aos MPs federal e estadual
esta semana é a que pretende obrigar o Estado a recuperar
e concluir as estações de tratamento de esgotos (ETEs)
que já foram iniciadas mais não foram concluídas
ou que simplesmente não operam, como as de Belford Roxo,
na Baixada Fluminense.
Os
ecologistas e técnicos do Instituto Instituto Mobilidade
e Ambiente Brasil vão solicitar ao novo Prefeito eleito,
Eduardo Paes, que é parceiro do governador Sérgio
Cabral, ambos do PMDB, que o projeto da Secretaria Estadual de Meio
Ambiente seja revisto e que se amplie as parcerias de investimentos
em saneamento ambiental e tratamento de esgotos para economizar
gastos com saúde pública. A OMS-Organização
Mundial de Saúde considera que de cada real investimento
em saneamento economiza-se 5 reais na rede hospitalar por causa
das doenças de veiculação hídrica, ou
seja da falta de tratamento da água e esgotos.
Maiores informações:
Sérgio Ricardo (21) 9734-8088
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