| GOVERNO
DO ESTADO PRETENDE AUTORIZAR CONSTRUÇÃO DE
MEGA LIXÃO DE 5 MIL TONELADAS DIA ENCIMA DO AQUÍFERO
PIRANEMA EM SEROPÉDICA - MORADORES E TÉCNICOS
REJEITAM O PROJETO POLUIDOR E QUEREM OUTRAS ALTERNATIVAS
TECNOLÓGICAS E LOCACIONAIS MAIS SEGURAS AMBIENTALMENTE
COMO A RECICLAGEM, COLETA SELETIVA E A GERAÇÃO
DE ENERGIA DA BIOMASSA DO LIXO
ALERJ
DEBATERÁ DIA 5 DE JUNHO (DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE)
DECRETO ESTADUAL ILEGAL QUE BENEFICIA GRANDES EMPREITEIRAS
DE LIXO E AUTORIZOU, SEM ESTUDOS TÉCNICOS, A CONSTRUÇÃO
DE DIVERSOS MEGA-ATERROS SANITÁRIOS NAS PRINCIPAIS
CIDADES DA REGIÃO METROPOLITANA QUE PREJUDICARÃO
COMUNIDADES POBRES E O MEIO AMBIENTE
SECRETARIA
ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE E FEEMA ESTÃO TENTANDO
LICENCIAR ÀS PRESSAS UM MEGA DEPÓSITO DE LIXO
QUÍMICO NA BACIA DO RIO GUANDU, NO MUNICÍPIO
DE PARACAMBI, COM CAPACIDADE DE RECEBER LIXO TÓXICO
DE OUTROS ESTADOS, COLOCANDO EM RISCO ESTE MANANCIAL QUE
ABASTECE DIARIAMENTE 8 MILHÕES DE PESSOAS DA REGIÃO
METROPOLITANA DO RJ, INCLUSIVE A CAPITAL
Em
janeiro deste ano, por influência da secretaria estadual
de meio ambiente, o estado publicou Decreto inconstitucional
que beneficia as grandes empreiteiras de lixo, ou a famosa
"Máfia do lixo", com a construção
de cerca de 30 a 40 mega-aterros sanitários, entre
os quais destaca-se o projetado para a cidade de Seropédica
onde o governo do estado pretende enterrar 5 mil toneladas
por dia de lixo urbano oriundo desta cidade, de Itaguaí
e de parte da Zona Oeste do Rio de Janeiro.
A
construção deste mega lixão está
sendo questionado tecnicamente e criticado pela comunidade
local, ecologistas, pesquisadores da Embrapa e da UFRRJ-Universidade
Federal Rural do RJ por sua localização encima
do estratégico manancial Aqüífero Piranema
(isso mesmo: um lixão previsto sobre um manancial
de águas subterrâneas!!!). Além do risco
de contaminação do lençol freático
os moradores questionam o fato da cidade ter que receber,
sem consulta pública prévia à população,
grande volume de lixo vindo de outras cidades. No final
do ano passado, a maioria da Câmara de Vereadores
chegou a aprovar de madrugada lei municipal que alterava
a Lei Orgânica municipal e passava a permitir o recebimento
de lixo de diversos municípios, inclusive lixo hospitalar
e industrial (lixo químico) não produzidos
na cidade. Isso revoltou a população local,
provocou atos de protestos de diversas entidades civis e
de instituições de pesquisas como a Embrapa
e a UFRRJ que há mais de 30 anos estudam a
região e dispõem de informações
técnicas aprofundadas sobre a importância estratégica
do Aqüífero Piranema, que ficaria vulnerável
à contaminação por chorume, contaminação
química etc. Através de Ação
Popular a lei ilegal, aprovada às pressas na calada
da noite pela maioria dos vereadores, sem dispor de estudos
técnicos que o justificassem e que não foi
objeto de consulta pública, foi suspensa pelo Tribunal
de Justiça do Estado do RJ, passando novamente a
valer a lei anterior.
Neste
sábado dia 31 de Maio, de 8 as 17 hs, no Auditório
Gustavão da UFRRJ-Universidade Federal Rural do RJ,
será realizado o 1º Seminário de Saneamento
Ambiental de Seropédica que debaterá temas
como: saneamento ambiental, gestão de resíduos
sólidos urbanos, preservação das águas
subterrâneas, saúde preventiva, zoneamento
ambiental entre outros temas.
No
evento será apresentado como alternativa à
construção do mega-lixão proposto pelo
Estado o PROJETO ECOPÓLO ENERGÉTICO E DE RECICLAGEM
DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS (RSU) DE SEROPÉDICA,
elaborado pela organização civil Mobilidade
e Ambiente Brasil, que visa implantar um Sistema Integrado
de Gestão de RSU na cidade, tendo como prioridade
a implantação da coleta seletiva com participação
direta de cooperativas de catadores de materiais recicláveis,
a construção de Ecofábricas para beneficiar
os recicláveis e produzir produtos como tubos de
PVC, lingote, peças de artesanato, entre outros,
e a implantação de uma unidade de produção
de energia limpa e renovável a partir da biomassa
do lixo, processo já adotado em diversos países,
como na Europa onde os grandes aterros sanitários
estão proibidos e é cada vez mais estimulada
a reciclagem e a geração de energia do lixo.
Para implantar esta tecnologia limpa na cidade, espera-se
contar com o apoio da Prefeitura, dos vereadores e princi
palmente da comunidade já que o Ecopolo é
uma alternativa tecnológica mais segura ambientalmente
do que a construção de mega-aterro, além
de viabilizar a inclusão social dos catadores(as)
e possibilitar a sustentabilidade econômica do empreendimento.
O
Decreto Estadual já está sendo contestado
por uma ADIN-Ação Direta de Inconstitucionalidade
junto ao Tribunal de Justiça do Estado do RJ que
pede sua anulação, já que prejudica
comunidades pobres de diversos municípios e exclui
as demais alternativas tecnológicas e locacionais
existentes amplamente adotadas em todo o mundo que propõem
a geração de energia da biomassa do lixo,
programas de coleta seletiva e de reciclagem.
Segundo
o ecologista Sérgio Ricardo, um dos debatedores do
1º. Seminário Ambiental, "há um
profundo poço de contradições na posição
do governo do estado já que, ao mesmo tempo, que
promove intensa publicidade na mídia como pioneiro
ao criar um setor de mudanças climáticas no
estado, sequer ouviu este setor ao publicar no Diário
Oficial o decreto que dá ilegalmente exclusividade
tecnológica a grandes aterros sanitários no
estado; além de condicionar a liberação
de recursos públicos do estado e federais para as
prefeituras à adoção desta única
opção tecnológica".
"A
equivocada política aterrista adotada pelo Estado
ao se limitar a priorizar a construção de
grandes aterros e excluir as demais opções
tecnológicas existentes no país e no exterior
simplesmente está contribuindo para o aumento do
aquecimento global, já que os lixões e mega
aterros são os principais responsáveis pela
produção excessiva de gases de efeito estufa
(GEE) como o metano que é 21 vezes mais poluente
que o CO2. Além disso, o aterramento do lixo urbano
em verdadeiros "cemitérios de lixo" (grandes
aterros) provoca uma sangria dos cofres públicos
já que é caro, insustentável, e cria
gigantescos e duradouros passivos ambientais e sociais.
Nos aterros e lixões se perde diariamente milhares
de toneladas de energia e matéria prima que poderiam
ser recicladas e transformadas em energia limpa e combustível
veicular e que são equivocadamente enterradas produzindo
diariamente grande volume de toneladas de gases tóxicos
(GEE), chorume, poluição atmosférica,
contaminação do len
çol freático, problemas de saúde etc.
No
próximo Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de Junho,
as 11 hs da manhã, a ALERJ promoverá Audiência
Pública para debater a POLÍTICA ESTADUAL DE
LIXO E A GERAÇÃO DE ENERGIA RENOVÁVEL
SUSTENTÁVEL.
O
Decreto ilegal, patrocinado pela Secretaria Estadual de
Meio Ambiente, além de tentar prejudicar Seropédica,
visa 'dar legalidade' à remoção arbitrária
e injusta de mais de uma centena de casas de trabalhadores(as)
para ampliação do lixão do Morro do
Céu, Niterói, e ao recém licenciado
irregularmente lixão de Paciência que pretende
transformar a populosa Zona Oeste do Rio de Janeiro num
mega "cemitério de lixo" de 9 mil toneladas
por dia, numa área densamente povoada. O licenciamento
ambiental, pelo qual o ex-secretário estadual de
meio ambiente e neo ministro estranhamente tanto tem se
empenhado desde que assumiu a pasta, é completamente
ilegal já que a região é Área
Residencial e vizinha à Base Aérea de Santa
Cruz, o que representará um grave risco de acidentes
aéreos. O transporte de todo este lixo será
feito por cerca de 600 carretas todo dia que transitarão
pela já congestionada Avenida Brasil, e vai paralisar
de vez o já caótico trânsito carioca.
Estes lixões em áreas
residenciais são verdadeiros crimes contra a saúde
pública e o meio ambiente, além de uma flagrante
Improbidade Administrativa.
O
governo do estado também já anunciou na imprensa
que pretende licenciar um outro mega lixão na Cidade
dos Meninos, Duque de Caxias, afetando comunidade com centenas
de famílias trabalhadoras que ali vivem há
décadas e que já sofrem o drama e discriminação
social devido à contaminação química
provocada pelo pó de broca e outros poluentes químicos
abandonados nos anos 50 pelo Ministério da Saúde.
A
Secretaria Estadual de Meio Ambiente, através da
FEEMA, também está tentando licenciar um mega
depósito de lixo químico na bacia hidrográfica
do Rio Guandu, no município de Paracambi, com capacidade
inclusive de receber lixo tóxico de outros estados,
colocando em risco este manancial que abastece diariamente
8 milhões de pessoas da Região Metropolitana
do RJ, inclusive a Capital.
SÉRGIO
RICARDO - Ambientalista
TEL. (21) 3366-1898, 9734-8088 |