| TRIBUNAL
INTERNACIONAL CONDENA EMPRESA ALEMÃ THYSSEN KRUPP
E CIA. VALE DO RIO DOCE POR CRIMES AMBIENTAIS E VIOLAÇÕES
DE DIREITOS TRABALHISTAS E HUMANOS NA BAÍA DE SEPETIBA
- CSA SERÁ DENUNCIADA OFICIALMENTE JUNTO À
ONU E AO PARLAMENTO EUROPEU
FISCAIS
DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO INTERDITARAM
AS OBRAS DA CSA-COMPANHIA SIDERÚRGICA DO ATLÂNTICO
POR IRREGULARIDADES E DESCUMPRIMENTO DE DIREITOS TRABALHISTAS
E AUSÊNCIA DE EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA NO
TRABALHO
EMPRESA
ESTÁ EMBARGADA DESDE DEZEMBRO DE 2007 PELO IBAMA,
NO ENTANTO CONTINUA OPERANDO LIVREMENTE PROVOCANDO GRAVES
DANOS AMBIENTAIS E POLUIÇÃO NA BAÍA
DE SEPETIBA, ALÉM DE PREJUÍZOS À PESCA
E AO TURISMO
A
construção de uma mega-siderurgica, coqueria,
uma termelétrica a carvão altamente poluente
e um porto privado da CSA (Companhia Siderúrgica
do Atlântico) de propriedade da empresa alemã
Thyssen-Krupp e da desnacionalizada Companhia Vale do Rio
Doce, situada no bairro de Santa Cruz, zona oeste carioca,
vêm provocando incalculáveis danos ambientais,
prejuízos à pesca artesanal e violação
de direitos trabalhistas e humanos. Somente agora, após
mais de 2 anos de sucessivas denúncias a diversos
órgãos públicos estaduais e federais
feitas por pescadores, ecologistas, diversas entidades e
movimentos sociais e técnicos, estas graves irregularidades
começam finalmente a ser averiguadas e constatadas.
No entanto, a Impunidade, a omissão e a conivência
ainda persistem em diversos aspectos ilegais desta obra
altamente poluidora.
A
empresa alemã Thyssen-Krupp foi condenada neste fim
de semana no Tribunal Popular dos Povos, realizado em Lima
no Peru, por destruir os ecossistemas da Baía de
Sepetiba, prejudicar economicamente e impedir o trabalho
de mais de 8.070 pescadores artesanais, prejudicando diretamente
mais de 40 mil pessoas, além de estar enterrando
lama contaminada por metais pesados no fundo do mar, numa
cava construída sem segurança no interior
da Baía de Sepetiba. Com esta condenação
a Thyssen será formalmente acusada junto à
ONU-Organizações das Nações
Unidas e no Parlamento Europeu pelos crimes econômicos
e violações de direitos humanos, desrespeito
a claúsulas trabalhistas e crime ecológico.
Desde
o ano passado, o Ministério Público do Trabalho
e o Ministério Público Federal, além
da Polícia Federal tem recebido inúmeras denuncias
contra os desmandos operacionais da CSA. A instauração
de Inquérito Criminal levou a incursões diárias
na localidade da Baia De Sepetiba, sejam por terra, água
e no ar. Na última segunda feira o Ministério
Público do Trabalho através da Procuradora
do Trabalho Valéria Sá Carvalho e auditores
fiscais interditaram as obras da CSA por irregularidades,
de segurança, EPI, equipamentos adequados, cintos,
ausência de guarda corpo, dentre outras. O MPT retornou
na quarta feira para outra blitz e constatou que as irregularidades
continuavam. A próxima visita será na segunda
dia 19.05, durante toda esta semana as obras estão
interditadas.
Também
foi determinado que a CSA comparecesse ao MPT para assinar
TAC - Termo de Ajuste de Conduta, sob pena de multa. No
entanto para maior surpresa, a CSA informou que nos últimos
3 (três) meses não foi registrado um único
acidente de trabalho.
No
entanto, as denuncias apontam que os acidentes são
rotineiros, já tendo muitas mortes ocorridas e vários
corpos encontrados, assim como diversas entradas por acidentes
de trabalho no Hospital Cremeru (particular) oriundos do
local das obras, trabalhadores sem carteira, trabalhadores
ameaçados e desaparecidos. A CSA também está
violando direitos dos migrantes já que importou mão
de obra chinesa por ser mais barata e desprotegida.
Na
semana passada, em Lima, Capital do Peru, representante
dos pescadores artesanais da Baía de Sepetiba, Luis
Carlos, e o ecologista Sérgio Ricardo apresentaram
denúncia pública que destaca os crimes ambientais
e violação de direitos humanos e trabalhistas
de 8.070 pescadores artesanais que estão impedidos
de trabalhar desde o final de 2005 devido a intensa poluição
provocada pelas dragagens impactantes para construção
de mega-siderurgica, coqueria e porto privado da CSA (Companhia
Siderúrgica do Atlântico) de propriedade da
empresa alemã Thyssen-Krupp e Vale do Rio Doce. Estas
obras poluidoras estão sendo financiadas pelo BNDES-Banco
Nacional de Desenvolvimento econômico e Social e faz
parte do PAC-Programa de Aceleração do Crescimento
do governo federal e do IIRSA (Iniciativa para a Integração
Regional da Infra-Estrutura Sul-Americana).
Entre
as diversas irregularidades, destaca-se o fato de que desde
dezembro de 2007, fiscais do IBAMA embargaram as obras da
CSA, no entanto o embargo simplesmente não está
sendo cumprido pela empresa e os órgãos ambientais
federais e estaduais (Ministério do Meio Ambiente,
IBAMA e FEEMA) estão omissos e coniventes com os
crimes ecológicos e sociais da CSA: desmatamento
de manguezal, fechamento de rios e canais com placas de
ferro, lançamento de lama contaminada por metais
pesados em cava no fundo do mar, mortandades de peixes,
além da morte de vários operários no
canteiro de obras e de um pescador que foi atropelado por
rebocador da empresa.
A
licença da CSA é ilegal, uma vez que foi dada
pela FEEMA quando a legislação ambiental brasileira
obriga que qualquer empreendimento situado na zona costeira
deve ser obrigatoriamente licenciado pelo órgão
ambiental federal (no caso o IBAMA).
O
PIROTÉCNICO NOVO MINISTRO DO MEIO AMBIENTE, CARLOS
MINC, ATUAL SECRETÁRIO ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE,
FOI OMISSO E CONIVENTE DESDE O INÍCIO DE SUA GESTÃO
COM OS CRIMES AMBIENTAIS E DESMANDOS DA EMPRESA, QUE SEGUNDO
O TSE FOI A MAIOR EMPRESA FINANCIADORA DAS CAMPANHAS DO
PRESIDENTE LULA E DO GOVERNADOR SÉRGIO CABRAL, E
DE DIVERSOS CANDIDADOS AO SENADO, CÂMARA DOS DEPUTADOS
E ALERJ.
A
denúncia teve grande repercussão na mídia
internacional, em especial na Alemanha, uma vez que o Tribunal
Permanente dos Povos (TPP) que ocorreu em Lima, do dia 13
a 16 de maio, no marco de "Enlaçando Alternativas
3", é formado por ilustres e renomados juristas
de diferentes países. O encontro de organizações
e movimentos sociais ocorreu em paralelo à Cúpula
de Presidentes União Européia-América
Latina e Caribe. . O Tribunal julgou a atuação
abusiva de empresas transnacionais européias na América
Latina, principalmente a violação de direitos
humanos, sociais, ambientais e trabalhistas, abordando o
regime onde prevalece o poder das corporações
sobre os direitos dos povos. Organizações
sociais da Europa e da América Latina pretendem demonstrar
com isso que a União Européia vem sendo um
importante motor da globalização neoliberal,
com acordos de associação e investimento que
estabelecem condições para que suas grandes
empresas atuem de forma a desrespeitar os direitos dos nosso
s povos.
Durante
o Tribunal, os defensores da Baía de Sepetiba também
tiveram encontro com diversas organizações
civis da Alemanha, Greenpeace e membros do Parlamento Europeu
aos quais se comprometeram a adotar medidas legais e políticas
para impedir a continuidade dos crimes corporativos da Thyssen
Krupp-Vale no Brasil.
Ambientalista:
Sérgio Ricardo
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