| ESTADO
E PREFEITURA UNIDOS PARA PRESENTEAR A POPULAÇÃO
DA ZONA OESTE COM 9 MIL TONELADAS DIÁRIAS DE LIXO
LICITAÇÃO E LICENCIAMENTO AMBIENTAL APRESENTAM
DIVERSAS ILEGALIDADES.
ALTERNATIVAS
QUE PODEM TRANSFORMAR O LIXO CARIOCA EM ENERGIA LIMPA E
PROGRAMAS DE RECICLAGEM NÃO ESTÃO SENDO ANALISADAS
PELAS AUTORIDADES.
CONSTRUÇÃO
DE LIXÃO EM PACIÊNCIA PROVOCARÁ RISCO
DE ACIDENTES AÉREOS:
AUTORIDADES
AMBIENTAIS PODEM SER PRESAS POR DESCUMPRIR LEIS ECOLÓGICAS
E URBANÍSTICAS QUE IMPEDEM CONSTRUÇÃO
DE LIXÃO EM ÁREAS URBANAS
Está
remarcado para o próximo dia 03/04/2008 (quinta feira),
às 19:00 horas, a Audiência Pública
sobre o Lixão de Paciência,na Zona Oeste, que
desde 2000 a Prefeitura do Rio de Janeiro pretende construir
através de uma polêmica licitação
e um ilegal processo de licenciamento ambiental. A Audiência
ocorrerá no Centro Esportivo Miécimo da Silva,
situado na Rua Olinda Elis nº 470, Campo Grande.
Diversas audiências anteriores foram canceladas por
decisão judicial a pedido de entidades ambientalistas
e moradores.
PRINCIPAIS
IRREGULARIDADES NO PROJETO DO LIXÃO DE PACIÊNCIA:
- Não foi definido quem será responsável
pela desativação e encerramento dos depósitos
em operação (no caso o "Aterro Metropolitano
de Gramacho" e de Gericinó), nem a quem se atribui,
e através de que dispositivos legais, a gestão
adequada do passivo sócio-ambiental deixado por Gramacho
e Gericinó.
-
A empresa "vencedora" da licitação,
nem a Prefeitura se responsabilizam pela inclusão
social, nem profissional de milhares de catadores de materiais
recicláveis (entre 3 a 5 mil catadores). Muitos sofreram
acidentes de trabalho ou fatais (mortes), há muitos
casos de doenças graves como leishmaniose, etc.
-
O bairro de Paciência, onde a Prefeitura do Rio e
o governo do estado pretendem enterrar 10 mil toneladas
de lixo por dia, é uma área densamente urbanizada
e com grande contingente populacional (entre 60 a 80 mil
pessoas terão como vizinhos um mega lixão);
-
IMPACTO VIÁRIO: O Rio vai parar com o absurdo transporte
de mais de 600 carretas enormes (com mais de 30 ton cada)
de lixo que será transportado diariamente pela Avenida
Brasil;
-
A empresa que elaborou o Projeto é a mesma que realizou
o estudo de impacto ambiental, o que caracteriza conflito
de interesses.
-
A localização proposta para o empreendimento
fere a Norma ABNT/NBR 13896, que exige uma distância
mínima de 500 metros de núcleos urbanos e
a Lei Municipal 519/89, que exige uma distância mínima
de 1 quilômetro de núcleos urbanos.
-
Existem no terreno 12 nascentes d'água, transformando
o local em área de preservação permanente,
como dispõem o Código Florestal, a Resolução
CONAMA 303/2002 e a deliberação CECA nº
3326/94.
-
O aterro receberá cerca de 10.000T/dia, tal projeto
não contempla ações educacionais que
busquem a redução do desperdício e
a consequente diminuição do lixo a ser destinado
ao aterro.
-
O lixão não prevê o aproveitamento energético
do lixo carioca, o que significa que a cidade continuará
a ter um verdadeiro "cemitério de lixo"
enterrando milhares de tonelas de matérias primas
e de energia limpa (biogás) que poderia gerar recursos
suficientes para estruturar a coleta seletiva solidária
e programas de reciclagem;
-
A empresa JÚLIO SIMÕES TRANSPORTES E SERVIÇOS
LTDA. "ganhadora" da viciada licitação
-que chegou a ser anulada pelo TCM (Tribunal de Contas do
Município) e está mantida apenas por uma liminar
precária - NUNCA TRATOU LIXO, NEM AQUI NEM EM MARTE!
-
A Julio Simões Ltda é ré de uma CPI
na Câmara de Vereadores do Rio já que cometeu
diversas irregularidades com dinheiro público e tem
orçamento ANUAL de mais de R$1,2 bilhões por
ano dos cofres da Cidade do Rio de Janeiro;
-
Sempre às vésperas das audiências do
lixão de Paciência as autoridades municipais
e de órgãos ambientais estaduais assustam
a população com dados de ocorrência
de riscos geológicos no Aterro Metropolitano de Jardim
Gramacho, situado em Duque de Caxias, que desde os anos
70 recebe o lixo carioca. O local do lixão, uma área
de 1,5 milhão de metros quadrados em cima da Baía
de Guanabara e de manguezais, está saturado, mesmo
assim continua a receber milhares de ton/dia de lixo, inclusive
grande volume de lixo hospitalar e entulho de obras (aumentando
bastante o peso de Gramacho com isso ampliando os riscos
geológicos!).
-
Desde os anos 80, a justiça obrigou o Rio a desativar
seus lixões: Gramacho, Gericinó e santa Cruz
(amos na Zona Oeste). No entanto, a Prefeitura nada fez
até hoje para recuperar Gramacho, nem solucionar
o passivo social de milhares de catadores de materiais recicláveis,
nem para ajudar nossa cidade a encontrar outras alternativas
tecnológicas e locacionais para dar destino final
adequado ao lixo carioca! Mesmo com tantas irregularidades
o governo do estado, através de sua Secretaria Estadual
de Meio Ambiente, marcou esta ilegal audiência pública!
ALTERNATIVAS
TECNOLÓGICAS E LOCACIONAIS SUSTENTÁVEIS NÃO
ESTÃO SENDO LEVADAS EM CONTA PELAS AUTORIDADES:
As alternativas existem, e por vários anos tem sido
apresentadas pelos movimentos sociais, grupos ecológicos
e setores da academia, porém nunca foram discutidas
seriamente pelos governantes que continuam com a política
de "cemitério de lixo": ao enterrar 9,10
mil ton/dia, a cidade do Rio está literalmente jogando
fora, diariamente, um grande volume de dinheiro já
que o lixo não é apenas poluição,
mais principalmente matéria-prima e energia!
Nos
últimos anos, a única obra feita pela Prefeitura
foi a Usina de lixo do Caju, que foi um verdadeiro desastre
já que se comprou uma superfaturada usina fabricada
na Europa, inadequada tecnicamente para tratar o lixo carioca,
onde R$ 24 milhões foi jogado literalmente fora pelo
ralo.
"Lamentavelmente
Estado e Prefeitura do Rio estão unidos para dar
de presente ao povo da Zona Oeste milhares de toneladas
de lixo por dia! O resultado será desastroso: doenças,
degradação social, aumento dos engarrafamentos
na Avenida Brasil que receberá mais de 600 carretas
de lixo por dia, poluição do ar, chorume e
grande volume de gases poluentes que se espalharão
por todos os bairros da Zona Oeste, região que concentra
a maior parte da população trabalhadora da
cidade", alerta o ecologista Sérgio Ricardo,
um dos fundadores do Movimento Xô, Lixão de
Paciência!
O
Rio precisa da energia limpa (biogás) e da coleta
seletiva e programas de reciclagem e de educação
ambiental e não de um mega-lixão poluidor.
PREFEITURA
DO RIO NÃO QUER ADOTAR PROPOSTAS ALTERNATIVAS MAIS
BARATAS E MAIS SEGURAS AMBIENTALMENTE PARA DAR DESTINO FINAL
AO LIXO CARIOCA:
Além
da CPI na Câmara de Vereadores, a licitação
para identificar alternativas para o destino final do lixo
carioca (10 mil ton/dia de RSU que atualmente é lançada
no aterro de Gramacho, às margens da Baía
de Guanabara) já foi cancelada em 2006 pelo TCM-Tribunal
de Contas do Município por "vícios insanáveis".
Por diversas vezes também a justiça federal
e estadual já suspendeu o processo de licenciamento
ambiental devido à existência de um rol de
irregularidades.
Diante
dos problemas apresentados no equivocado projeto do lixão
na zona oeste, o Movimento Xô Lixão de Paciência!
formado por grupos ecologistas, lideranças comunitárias,
catadores e técnicos, no início de 2006 encaminharam
oficialmente aos prefeitos do Rio (César Maria, PFL
atual DEM) e de Duque de Caxias (Washington Reis, PMDB),
e aos Ministérios Públicos federal e estadual,
o PLANO DE TRANSIÇÃO GRADUAL PARA A DESATIVAÇÃO
DEFINITIVA DO ATERRO METROPOLITANO DE JARDIM GRAMACHO que
prevê as seguintes políticas para solucionar
o grave problema de poluição provocado pelo
lixo do Rio:
-
implantação de programas de Reciclagem e da
Coleta Seletiva Solidária porta-a-porta incorporando
neste processo os atuais catadores do lixão de Gramacho
(mais de 5 mil pessoas) que teriam trabalho digno, aumento
de renda e direitos reconhecidos como agentes ambientais
das cidades;
-
aprovação nas respectivas Câmaras de
Vereadores, em caráter de urgência, de leis
municipais que garantam aos catadores de materiais reciclados
o direito ao material reciclado recolhido na cidade; bem
como impedindo a prática tradicional e anti-ecológica
de enterrar lixo, que tem gerado prejuízos econômicos
e um expressivo Passivo Ambiental e Social dos aterros e
lixões; repassando a Coleta Seletiva diretamente
para as associações e cooperativas de catadores
e reconhecimento dos direitos trabalhistas e previdenciários
destes trabalhadores que atualmente trabalham em situação
d erisco sanitário;
-
construção de Núcleos Descentralizados
de Reciclagem e de galpões de reciclagem e aquisição
de equipamentos (prensa, carrinhos, balanças digital,
equipamentos de proteção individual etc) para
organizar a coleta seletiva nas cidades do Rio de Janeiro
e de Duque de Caxias p/ inclusão dos atuais catadores
em ecofábricas que fazem o beneficiamento primário
e industrialização dos materiais recicláveis
agregando valor a estes produtos (canos de esgoto, lingote
de alumínio, artesanato etc) e aumento de renda p/
a categoria;
-
Realizar nova Licitação Pública para
escolha de alternativas mais adequadas ambientalmente para
dar destino final ao lixo carioca, tendo em vista as diversas
ilegalidades e irregularidades apresentadas no processo
licitatório e de licenciamento ambiental do lixão
de Paciência;
-
Implantação de um SISTEMA INTEGRADO E DESCENTRALIZADO
DE GESTÃO DOS RESIDUOS SÓLIDOS URBANOS DA
CIDADE DO RIO DE JANEIRO E DA REGIÃO METROPOLITANA
DO RJ com a adoção de uma política
de Cooperação entre as diversas cidades para
formação de Consórcios Inter-municipais
na Região Metropolitana do RJ visando a construção
de ECOPÓLOS ENERGÉTICOS E DE RECICLAGEM, que
ao invés de enterrar diariamente milhares de toneladas
de lixo, possa produzir através de processo de biodigestão
anaeróbica grande quantidade de adubo orgânico,
energia limpa e combustível renovável p/ veículos
(biogás);
-
obrigatoriedade da empresa ganhadora da nova licitação
de promover a recuperação das áreas
degradadas dos lixões de Gericinó, Sta. Cruz
e Gramacho, com contínuo monitoramento do lençol
freático, mananciais e a saúde das comunidades
locais;
-
reparação do passivo social e humano de milhares
de catadores de materiais reciclados de responsabilidade
da cidade do RJ (COMLURB) e de outras prefeituras que jogam
lixo em Gramacho, com definição do valor das
indenizações por serviços prestados,
mutilações, mortes e acidentes de trabalho,
uma vez que os catadores comprovadamente prestam, há
vários anos, um relevante serviço de utilidade
pública e de defesa do meio ambiente para estes municípios
contribuindo diretamente com seu trabalho cotidiano para
o aumento da vida útil do Aterro Metropolitano de
Jardim Gramacho;
-
conclusão da Auditoria Sócio-Ambiental independente,
prevista na Lei Estadual 1898/91, determinada pelo MP Estadual
para estimar e cobrar o Passivo Ambiental da Prefeitura
do Rio de Janeiro e de outras cidades que jogam seu lixo
em Gramacho; assim como estimar o expressivo Passivo Social
e Humano existente com os catadores(as) de materiais recicláveis
do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho;
-
que o valor integral da Taxa de Compensação
Ambiental, criada no inicio do ano pela Prefeitura de Duque
de Caxias, seja revertida integralmente para obras de urbanização,
saneamento básico, implantação de um
Posto de Saúde Público e recuperação
ambiental da área do Aterro de Gramacho;
-
Criação de um Fundo específico de Reparação
dos Danos Ambientais e Impactos Sociais para que um percentual
de aproximadamente 30% dos recursos oriundos da futura captação
de Crédito de Carbono do Aterro de Gramacho seja
destinado exclusivamente para reparação dos
Passivos ambiental e social relativo aos catadores e da
comunidade de Jardim gramacho devendo estes recursos ser
convertido em ações de saneamento, regularização
fundiária, implantação de Centro de
Referência de saúde Pública, recuperação
ambiental, capacitação profissional, programas
de reciclagem e educação ambiental etc;
-
Criação na Fazenda Santa Rosa (bairro de Paciência)
de uma Área de Proteção Ambiental (APA)
para suprir a carência de áreas verdes e de
lazer da Zona Oeste do Rio que é a região
com o maior contingente populacional da cidade;
-
Apoio da Prefeitura à implantação de
uma Escola Profissionalizante voltada para a capacitação
profissional dos catadores, seus familiares e da população
local, garantindo prioridade aos catadores que forem capacitados
na aquisição de empregos no Pólo de
empresas que a Prefeitura de Duque de Caxias pretende implantar
em Jardim Gramacho;
-
Apoio da Prefeitura à implantação de
diversas Salas de Aula de Alfabetização em
parceria com o Programa Mova Brasil do governo federal e
outros programas a fim de erradicar os elevados índices
de Analfabetismo existente entre os catadores e seus familiares;
garantir os benefícios do Bolsa-Família e
do Programa Primeiro Emprego aos jovens filhos e netos de
catadores (as) com sua capacitação profissional;
-
Implantar Postos de Saúde Público e de um
Centro de Referência em Saúde Pública
com capacidade para atender o grande numero de catadores(as)
que trabalham no Aterro de Gramacho e a população
local e realizar um exame coletivo/epidemiológico
de saúde;
AUTORIDADES
AMBIENTAIS PODEM SER PRESAS POR DESCUMPRIR LEIS ECOLÓGICAS:
Caso a audiência seja realizada os movimentos sociais
e ecologistas pretendem pedir à justiça a
prisão de diversas autoridades ambientais (titulares
da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, FEEMA e CECA-Comissão
Estadual de Controle Ambiental), o que é previsto
na lei federal dos Crimes Ambientais (9605/97), já
que o licenciamento ambiental do lixão de Paciência
sequer poderia ter sido iniciado pelo governo do estado
uma vez que a legislação em vigor exigem que
preliminarmente ao início do processo de licenciamento
de qualquer empreendimento (na etapa de aceite ou não
do EIA-RIMA) o órgão ambiental avalie a compatibilidade
do empreendimento com o zoneamento urbano, o que também
não foi levado em conta.
"Há
grave equívoco (erro técnico) dos órgãos
ambientais, em especial da FEEMA e da CECA, ao longo deste
processo de licenciamento ambiental haja visto que o zoneamento
urbano municipal não permite a instalação
de empreendimentos de alto potencial poluidor em Zona residencial
e rural, como é o caso do bairro de Paciência
(Plano Diretor Decenal do RJ e Lei Orgânica municipal,
entre outros). O órgão ambiental também
infringe os princípios da lei federal No. 6.938/81.
Desta forma, sequer a FEEMA poderia ter aceitado o referido
EIA-RIMA, e iniciado sua análise, já que a
localização de seu empreendimento está
em flagrante desacordo com a legislação ambiental
e urbanística em vigor, podendo seus Dirigentes e
técnicos inclusive arcarem com as responsabilidades
legais e jurídicas previstas na Lei Federal No. 9605/98
(Lei dos Crimes Ambientais), incidindo neste caso, inclusive,
uma clara responsabilização criminal do agente
público (Art. 68 da Lei 9.605/98)", informa
o Mandato de Segurança ao TJERJ.
O
terreno da empresa, na Serra de Paciência, que encontra-se
atualmente em avançado processo de regeneração
ambiental, não possui capacidade nem condições
adequadas, sob o aspecto ambiental, para abrigar um mega
aterro como o proposto. Também o projeto da empresa
Júlio Simões apresenta diversas irregularidades
técnicas, inclusive identificadas pelo próprio
Poder Judiciário (ACP No. 2003.001.061799-6).
CONSTRUÇÃO
DE LIXÃO EM PACIÊNCIA PROVOCARÁ RISCO
DE ACIDENTES AÉREOS:
O terreno em questão está localizado próximo
ao Aeroporto de Jacarepaguá e a menos de 10 km de
distância da Base Aérea de Santa Cruz apresentando
grave risco aviário. O local faz parte da ASA-Área
de Segurança Aeroportuária, portanto inadequado
para implantação de um mega aterro sanitário,
com características de lixão. A Resolução
CONAMA 004/95 proíbe terminantemente a implantação
de atividades de natureza perigosa nas ASAs, por seu potencial
de tornar-se "focos de pássaros", como
é o caso de vazadouros de lixo, assim como quaisquer
outras atividades que possam proporcionar riscos semelhantes
à navegação aérea.
Além
disso, o terreno apresentado pela empresa J. Simões
está localizado em zona de projeção
da RFFSA-Rede Ferroviária Federal S.A., de patrimônio
da União, que será alienado pelo referido
aterro sanitário que cortará o terreno ao
meio, colocando em riscos à segurança da população,
aos funcionários e ao regular funcionamento do empreendimento.
MAIORES
INFORMAÇÕES:
SÉRGIO RICARDO - Ambientalista, Movimento Xô,
Lixão de Paciência!
TEL. (21) 3366-1898, 9734-8088
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