Uerj
na luta por mais recursos do estado
Verba para graduação e compra
de novos equipamentos em 2010 foi reduzida a 23%
do previsto.
POR THIAGO PRADO, RIO DE JANEIRO
Rio
- A Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj)
se prepara para uma batalha por mais recursos
na Assembleia Legislativa (Alerj) este mês.
O reitor e sindicalistas reclamam que o orçamento
2010 elaborado pelo governo corta drasticamente
recursos destinados a custeio e novos investimentos
na instituição.
Verbas
para o reequipamento da universidade e desenvolvimento
da graduação, por exemplo, terão
apenas 23% do valor reservado para este ano —
R$ 600 mil contra R$ 2,5 milhões em 2009.
A redução é ainda maior se
comparada com 2008. Naquele ano, foram executados
investimentos no valor de R$ 9,1 milhões.
O secretário estadual de Ciência
e Tecnologia, Alexandre Cardoso, admite contar
com as emendas de deputados estaduais para aumentar
o caixa.
Atualmente,
a Uerj se sustenta financeiramente por um tripé:
prestação de serviços como
o vestibular e convênios, Sistema Único
de Saúde (SUS) para o Hospital Pedro Ernesto
e dinheiro do Tesouro do estado. Foi esta fonte
que sofreu cortes. Este ano, a instituição
teve R$ 452 milhões injetados pela administração
direta. Em 2010, terá R$ 445 milhões.
Além
disso, a Uerj acaba de assumir duas novas despesas.
“Agora
pagamos os médicos residentes e houve expansão
nas bolsas dos estudantes cotistas, que eram de
um ano e passaram para cinco. Houve redução
no nosso custeio e na capacidade de investimento”,
afirmou o reitor Ricardo Vieiralves, em audiência
na Alerj.
Na
rubrica ‘manutenção’,
o valor de R$ 27 milhões em 2009 permanecerá
inalterado. Em 2008, foram executados R$ 42,8
milhões, 55% a mais. “Nossos laboratórios
têm computadores velhos e os banheiros estão
muito ruins. Alguns até sem porta”,
reclama a estudante de jornalismo Rafaela Carvalho,
21 anos, que lista outras reclamações
de alunos: há salas de aula com cadeiras
e portas quebradas, paredes sujas e quadras de
esportes mal conservadas para estudantes de Educação
Física.
O
diretor do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades
Públicas Estaduais no Estado do Rio (Sintuperj),
José Arnaldo Gama, afirma que o governo
deveria cumprir a Constituição fluminense
e repassar à Uerj 6% da receita do estado.
Em 2008, liminar do Supremo Tribunal Federal anulou
a norma: “Teríamos R$ 1 bilhão
por ano. Por isso, todo ano tem desabamento de
teto ou incêndios”. O sindicato convocou
paralisação para dia 26, por melhores
salários.
Vai
chegar a um ponto em que o ensino superior público
vai ficar igual à educação
básica”, lamenta o deputado Comte
Bittencourt, presidente da Comissão de
Educação da Alerj.
Divergências
entre governo e sindicato
Apesar
de concordar que é necessário um
esforço para aumentar os recursos, Cardoso
afirma que o governo tem olhado com carinho para
a Uerj: “Vamos fazer as reparações
necessárias. Mas gostaria de lembrar que
aumentamos a verba da Faperj (que fomenta pesquisa
e formação científica e tecnológica)
em 90% e implementamos planos de cargos e salários.
A Uerj vive hoje a melhor época da sua
vida".
O
Sintuperj reconhece o aumento dos recursos na
Faperj, mas mostra que não houve crescimento
tão significativo nos recursos repassados
exclusivamente à Uerj. Foram empenhados
R$ 15,2 milhões este ano contra R$ 14,8
milhões em 2008. “Os valores são
abaixo dos de 2006, quando recebemos R$ 20 milhões”,
afirma José Arnaldo.
Fonte:
www.odia.com.br