Das 50 melhores escolas do Rio de Janeiro no Enem, nove são federais. Rede estadual é a pior

Por: Letícia Vieira e Sérgio Meirelles - Extra e Josy Fischberg - O Globo

RIO - O aluno do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CAp-UFRJ) Antonio Brandão, de 17 anos, está no 3º ano do ensino médio, e sabe que não precisará fazer curso pré-vestibular para garantir uma vaga no curso de engenharia. Ele estuda na escola que teve, entre os colégios públicos do Estado do Rio de Janeiro, o melhor desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

A unidade obteve o 5º lugar na avaliação de 2008 feita pelo Ministério da Educação (MEC), atrás apenas dos colégios particulares. No ranking nacional dos colégios públicos, é a quarta melhor (Veja o ranking das escolas do Rio de Janeiro no Casos de Cidade) .

O Colégio São Bento, no Centro do Rio, obteve o primeiro lugar nacional no ranking das escolas feito a partir do Enem. Única a aceitar meninos, a escola custa em torno de R$ 1.700 por mês. De segunda a sexta-feira, as aulas para os alunos do 3º ano vão de 7h30m às 16h30m.

Enquanto estudantes e professores se orgulham do resultado do colégio federal, as escolas estaduais amargaram as piores colocações no exame. Entre as 50 melhores unidades no estado, dez são da rede pública: nove federais e apenas uma estadual, o Colégio de Aplicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CAp-Uerj).

Estudantes do CAp-UFRJ contam que a qualidade dos professores e o método de ensino são os segredos para os bons resultados no Enem (Vídeo: alunos do CAp explicam o bom desempenho no exame) .

- O 3º ano do ensino médio tem os melhores professores. Também é legal ter aulas complementares à tarde, ninguém falta - conta o estudante Antonio Brandão.

O diretor-adjunto e coordenador do ensino médio, Marcelo Bueno, conta que a valorização dos professores é fundamental para o bom resultado na avaliação:

- Temos todos professores com mestrado ou especialização, com dedicação integral à escola e às atividades de pesquisa. Oferecemos aulas de apoio e disciplinas que estimulam a criatividade.

No Colégio Estadual Hervalina Diniz Pires, o sentimento da diretora Ana Maria Penido foi de surpresa com o penúltimo lugar no estado.

- Nossos alunos sempre participaram do Enem. De um modo geral, eles se saem muito bem nas provas. Vou analisar cada caso - disse.

Alunos se defendem

O Colégio Estadual República da Argentina, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio, figura entre os dez piores colocados no Enem. A péssima colocação da escola, no entanto, não surpreendeu ao menos três dos 14 alunos que realizaram o exame nacional no ano passado. Segundo eles, o mau desempenho nas provas, antes de tudo, é fruto de uma falta de preparação adequada.

- Eu tenho consciência de que não estudei o suficiente para fazer uma boa prova. Mas, para mim, serviu como uma boa experiência. Fiz o exame apenas para me familiarizar com o Enem, pois ainda não concluí o ensino médio. Este ano é para valer. Vou estudar para passar - prometeu Daniel Miranda, de 28 anos, estudante do 3º ano.

Denilda da Conceição, de 45, também fez o Enem apenas como uma experiência. Estudante do turno da noite, ela acha que o ensino para os alunos que estudam neste horário tem que ser mais específico:

- Geralmente, o aluno que estuda à noite trabalha fora durante o dia. Estamos sempre em desvantagem com os demais estudantes.

Rodrigo Ribeiro, de 30 anos, mesmo que tivesse passado no Enem não ficaria com a vaga, porque ainda está cursando a 7ª série do ensino fundamental. A exemplo dos dois colegas, ele fez o provão apenas para ver como era o exame.

Ciep de Caxias tem o pior ensino médio regular

O Ciep Graciliano Ramos, em Duque de Caxias, é a escola com o pior ensino médio regular no Estado do Rio, de acordo com o Enem. Dos 83 alunos matriculados, 25 fizeram a avaliação e obtiveram média de 35,52 pontos. Para os alunos da instituição, o maior problema é a falta de professores.

- A escola é bem cuidada, muito mais limpa e organizada que outras da região. Mas estamos desde o início do ano sem aulas de português. Hoje, por exemplo, o professor de história faltou - disse uma aluna do ensino fundamental.

"A escola é bem cuidada, mas estamos desde o início do ano sem aulas de português"

A Secretaria estadual de Educação do Rio informou que os quatro professores que faltam no colégio serão escolhidos pelo sistema em que concursados podem trabalhar a mais no próprio colégio e receber gratificação extra.

A realidade do Ciep de Caxias não é diferente da de outras escolas estaduais. Das cem escolas com menores notas no estado, 96 são estaduais. Para a subsecretária de Gestão da Rede e de Ensino, Teresa Pontual, os dados serão usados como subsídio na formulação de políticas, mas o ranking é injusto.

- Comparar os resultados de escolas particulares com estaduais é colocar na balança universos diferentes. As particulares selecionam na base socioeconômica. E o CAP Uerj, que não é particular, mas obteve boa colocação, tem prova de seleção. Administramos rede de 1.500 escolas, com alunos que não têm apoio familiar.

Fonte: http://extra.globo.com

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