| Aula
aos sábados para 11 mil.
Prefeitura
do Rio pagará bônus a professor pela
realfabetização de alunos do 6º
ano no fim de semana
POR CAROL MEDEIROS, RIO DE JANEIRO
Rio
- No fim do mês, 11.078 alunos da rede municipal
começam a ter aula aos sábados. Como
o número de analfabetos funcionais é
alto e falta espaço nas escolas para abrigar,
além das turmas convencionais, as de realfabetização
e as de reforço, a secretaria decidiu que
os estudantes do 6º ano continuarão
em suas classes normais durante a semana e terão
as aulas para aprender a ler aos sábados.
Nas séries mais baixas, eles serão
retirados das turmas de origem.
“Não
imaginávamos que fossem tantos e não
dá para colocar 35 alunos por sala. Para
funcionar, elas não terão mais do
que 25 pessoas”, explica a secretária
municipal de Educação, Cláudia
Costin. Serão 350 turmas só para o
6º ano — 12,42% dos matriculados nesta
série não passaram no provão.
Para
as aulas de realfabetização, a secretaria
convidará 350 professores da rede e oferecerá
adicional para que trabalhem no fim de semana. O
valor será estipulado até segunda-feira,
e os interessados devem procurar a direção
das escolas.
“O
projeto para essa série é inovador
e está quase pronto. Esses jovens já
passaram muitos anos na escola. Decidimos deixá-los
nas suas turmas e fazer horas a mais de realfabetização,
que vai durar oito meses. Dessa forma não
sobrecarregamos as escolas que não têm
espaço”, explica Costin.
Ao
fim dos oito meses, alunos serão reavaliados.
Dependendo do resultado, eles podem até ser
obrigados a repetir os oito meses dedicados à
realfabetização. “O que não
vamos fazer é empurrar o problema”,
afirma a secretária.
Alfabetização diária
em outras séries
Outras
407 turmas de realfabetização serão
montadas em escolas municipais para abrigar os alunos
de 4º e 5º anos identificados como analfabetos
funcionais no provão de Português e
Matemática. Ao contrário dos alunos
do 6º ano, os estudantes dessas duas séries
serão retirados de suas classes de origem
e terão aulas de alfabetização
todos os dias. O teste revelou que 17,6% (10.743)
das crianças do 4º ano não sabem
ler nem escrever. No 5º ano, são 11,6%
(7.058).
Ao
fim dos oito meses de aula, todos farão novos
testes para saber se conseguem ou não voltar
para série que cursavam até então.
Se for necessário, um estudante retirado
do 4º ano para se realfabetizar pode ter que
repetir a alfabetização no ano que
vem. “Esperamos sucesso de cerca de 95%. Nos
casos que falharmos, recomeçaremos o processo.
Não vamos desistir de nenhuma criança”,
afirmou Cláudia.
Estudantes
farão testes de visão e audição
Além
de combater o déficit no aprendizado com
aulas de reforço, a secretaria vai tentar
identificar razões extraclasse para o fraco
desempenho dos alunos da rede. Ainda este mês,
médicos da Secretaria Municipal de Saúde
irão às escolas para fazer testes
de visão e audição no estudantes.
“Dificuldade de enxergar, por exemplo, pode
criar uma barreira na criança. Assistentes
sociais e psicólogos da Secretaria de Educação
também farão exames para saber se
algum problema psicológico está interferindo
na vida escolar do aluno”, explicou Cláudia.
A
forma como as aulas de reforço serão
oferecidas aos que tiveram desempenho abaixo do
esperado será decidida pelas próprias
escolas. Elas têm até dia 8 para enviar
o planejamento à secretaria. Com base nos
cadernos de reforço preparados pelo órgão,
as unidades vão decidir se oferecerão
aulas com professores, monitores ou voluntários
ou ainda se vão optar por exercícios
para serem feitos em casa.
Dos
460 mil alunos que fizeram o Provão, 38,7%
foram reprovados em Matemática e vão
ganhar aulas extras. Só no 6º ano, mais
da metade dos alunos (54,6%) falharam com os números.
Fonte: www.odia.com.br
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