| Professor
do estado em foco
Governo
elabora perfil do mestre da rede para identificar carências
e incentivar aprimoramento
Por: Daniela Dariano
Rio
- Que faltam professores estaduais com Nível Superior,
principalmente em Matemática, Química e Física,
já se sabe. Para identificar o tamanho real dessa
carência e planejar soluções, o governo
do estado começou ontem a mapear sua rede de ensino.
Cada um dos 77 mil professores estaduais está sendo
incentivado a preencher na Internet o formulário
‘Perfil de Formação do Professor’,
com dados pessoais, profissionais e possíveis interesses
em cursos de aperfeiçoamento ou especialização.
A ficha ficará on-line durante 15 dias.
Entre
os planos, está a reserva de vagas em universidades
especialmente para os mestres já em atividade. A
intenção é adequar os professores à
legislação, garantindo o diploma aos que não
têm e adaptando o corpo docente às demandas
de sala de aula.
“Muitos
professores na nossa rede não têm curso superior.
E tem professor de Matemática dando aula de Física,
engenheiro dando aula de Matemática”, admite
a secretária estadual de Educação,
Tereza Porto.
O
estudo está sendo feito por uma comissão criada
por decreto do governador Sérgio Cabral, formada
pelas secretarias municipais e estadual de Educação
e pelo Ministério da Educação. Além
das universidades federais, estaduais e Cefets, Tereza Porto
crê que o Centro de Educação Superior
à Distância do Rio terá papel importante
para adequar o quadro de professores sem aumentar a falta
de profissionais da rede. A comissão, criada em agosto,
também ficará responsável pelo atendimento
à formação continuada dos professores
da rede estadual.
Segundo
a secretária, a comissão está pensando
em um modelo de trabalho que permita a oferta de 20% das
vagas nas universidades e Cefets para esse público.
O cadastro deve ser feito pelo site da Secretaria Estadual
de Educação (www.educacao.rj.gov.br), página
que desde ontem aloja o portal Conexão Professor,
com informações voltadas para os mestres.
Formação
direcionada à sala de aula
Para
a secretária Tereza Porto, uma discussão que
deve ser iniciada assim que a rede de professores estiver
mapeada é o modelo de formação dos
profissionais. Para ela, a segmentação atrapalha
desnecessariamente a mobilidade do quadro de mestres.
“O
físico só pode ensinar Física, o químico,
só Química. É preciso pensar numa formação
ampla e direcionada especificamente para a sala de aula.
Hoje o professor faz a universidade para ser pesquisador.
Temos dificuldade de formar professores”, admite.
Diretora
do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação,
Beatriz Lugão acredita que o problema do magistério
vai além da formação profissional.
Segundo ela, à medida que se capacitam com mestrado
ou doutorado, os professores procuram trabalho em que sejam
mais bem remunerados.
“Sempre
quisemos fazer especialização, mas não
como uma segunda ou terceira jornada de trabalho. O professor
precisa ser liberado para o curso de mestrado”, acrescenta
Beatriz, para quem o corpo docente do estado é um
dos mais especializados do País.
Fonte: www.odia.com.br
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