| Rio,
3º pior no Ensino Superior
Só
Alagoas e Distrito Federal concentram mais cursos com notas
mínimas no exame do MEC
Por:
Maria Luisa Barros
Rio
- O Estado do Rio teve a terceira pior avaliação
no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) em
todo o País. O Rio ficou atrás somente de
Alagoas e do Distrito Federal, entre os estados com o maior
número de instituições com notas 1
e 2 no Conceito Enade.
O
resultado nas áreas de saúde, agrárias
e serviço social leva em consideração
apenas o desempenho do provão aplicado, em novembro,
a 190 mil estudantes. Dos 240 cursos de Ensino Superior
avaliados pelo Ministério da Educação
(MEC) no Rio de Janeiro, 76 (31,7%) obtiveram notas 1 e
2 em uma escala de 1 a 5.
No
ranking nacional das instituições com as melhores
faculdades e universidades, a posição do Rio
cai 11 posições. O estado ocupa o 14º
lugar na lista com maior percentual de cursos com notas
máximas. Do total, só 39 cursos (16,3%) obtiveram
conceitos 4 e 5, desempenho inferior ao Acre, Ceará,
Piauí e Amazonas.
São
Paulo ficou em 18º lugar. O Rio Grande do Sul é
o estado com mais cursos com as notas máximas. O
exame avaliou faculdades das áreas de Agronomia,
Biomedicina, Educação Física, Enfermagem,
Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina,
Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia,
Serviço Social, Tecnologia de Radiologia, Tecnologia
em Agroindústria, Terapia Ocupacional e Zootecnia.
Cursos
com conceito preliminar 1 e 2 foram reprovados pelo MEC.
Os que tiraram 3 atenderam os requisitos para funcionamento.
Já os que levaram nota máxima (4 e 5) são
considerados referência nacional, como é o
caso da UFRJ, Uerj e Uenf. O ministro da Educação,
Fernando Haddad, disse que, com base nos novos indicadores,
a fiscalização dos cursos será mais
rígida. O próximo passo será enviar
comissão de especialistas às instituições
com pior resultado. As vistorias técnicas devem começar
em um mês, segundo o ministério. Elas vão
verificar se as condições das escolas diferem
da mostrada pelos indicadores. Caso o conceito continue
baixo, será aberto processo para analisar fechamento
do curso.
Nas
públicas, maioria pagou Ensino Médio
Pela
primeira vez, participantes do Enade avaliaram as condições
das instituições e a qualificação
de seus mestres. De acordo com questionário socioeconômico,
a maioria dos estudantes das universidades e faculdades
particulares precisa trabalhar para ajudar no sustento da
família. Já nas públicas, a maior parte
tem o suporte dos pais para estudar. Outro dado que chama
a atenção é a escolha do material pedagógico
usado em sala de aula.
Enquanto
nas públicas os professores utilizam livros e manuais,
nas instituições privadas é mais comum
o uso de apostilas e resumos. Também é grande
o número de alunos nas universidades públicas
que faz uso da Internet nos trabalhos e pesquisas. Entre
os das particulares, a principal fonte de consulta são
as bibliotecas da própria instituição.
Confirmando
uma tendência, o estudo revela que, embora as públicas
tenham só 22% dos universitários, 43% deles
fizeram todo o Ensino Médio em colégios particulares.
As instituições privadas de ensino superior
recebem 78% dos jovens — 48% de escolas públicas.
CINCO
CURSOS DE MEDICINA NA MIRA DO MEC
Um
em cada quatro médicos no Estado do Rio se forma
todos os anos em instituições que não
têm condições de funcionar com qualidade.
Dos 14 cursos de Medicina em faculdades fluminenses, cinco
tiraram 1 e 2, no novo conceito criado pelo MEC (Conceito
Preliminar de Curso). São os da Universidade Gama
Filho; da Universidade Iguaçu (Itaperuna e Nova Iguaçu);
Universidade Severino Sombra, em Vassouras; Centro Universitário
de Serra dos Órgãos, e Centro Universitário
de Volta Redonda. Todos eles estão na mira do Ministério
da Educação. Em todo o País, 27 dos
153 cursos de Medicina foram reprovados. Apenas quatro obtiveram
a nota 5, entre eles o da UFRJ.
O
superconceito, como vem sendo chamado, avalia o desempenho
dos alunos no Enade, titulação dos professores
e instalações das faculdades, como bibliotecas
e laboratórios. A Gama Filho informou que vai intensificar
o ensino da disciplina Saúde Coletiva em todos os
cursos de Saúde. O novo conteúdo programático
terá mais atividades relacionadas à assistência
à comunidade e à promoção em
saúde.
Fonte:
www.odia.com.br |