PRIMEIRA CARAVANA QUILOMBOLA DA ZONA DA MATA MINEIRA
TEMA: SOBERANIA E SEGURANÇA ALIMENTAR NOS TERRITÓRIOS

Temos a alegria de convidá-lo(a)s para Primeira Caravana Quilombola da Zona da Mata Mineira com o tema “Soberania e Segurança Alimentar nos Territórios”. A Caravana acontecerá entre nos dias 26, 27 e 28 de setembro tendo como foco a tradicional Festa do Rosário que acontece em Airões. Outras Caravanas acontecerão posteriormente seguindo o calendário das festas do povo negro e camponês da região. Contamos com a participação das comunidades quilombolas, dos movimentos e organizações parceiras da região para contribuir e celebrar esse grande momento de trocas, experiências, (re)conhecimentos, aprendizados e festejos.

Desde 2015 a Caravana Quilombola vem sendo sonhada e, por isso mesmo, sendo construída, a partir da organização do movimento quilombola da região através da Rede Sapoqui - Rede de Saberes dos Povos Quilombolas. Faz parte da tradição do povo da região Zona da Mata Mineira fazer romarias, caminhadas e caravanas. O sonho da Caravana Quilombola tem relação direta com essa tradição e teve forte estímulo vindo das suas participações nas Caravanas Agroecológicas e da Caravana do Rio Doce (crime de Mariana). Esse sonho encontrou a materialização através do Projeto Caravana Quilombola (Chamada CNPq/MCTIC Nº 016/2016) que tem o tema do alimento como “dedo de prosa” para debatermos questões importantes como a segurança e soberania alimentar, a identidade e direitos quilombolas e agroecologia, visando o fortalecimento das comunidades na Zona da Mata.

Sabemos que nesses territórios, há várias denúncias e anúncios que configuram a realidade dessas comunidades. Há questões como dificuldades de titulação e de soberania nos territórios, conflitos com o agronegócio, o acesso às políticas públicas, ações de discriminação, êxodo da juventude, entre outros, como chamam a atenção, Jesus Rosário, presidente da federação estadual quilombola (N´golo). “ Em Minas existem cerca de 800 comunidades reconhecidas, apenas uma titulada, localizada no Vale do Jequitinhonha e, mesmo assim, esta comunidade foi relocada para a construção de uma hidrelétrica. (...) São vários empreendimentos, entre eles as monoculturas da cana, grãos, eucalipto, a criação de gado, as barragens, a mineração. A gente tem também a expansão imobiliária que afeta as comunidades próximas das cidades. (...) êxodo da juventude (...) aumento da violência e extermínio da juventude negra”. (Jesus Rosário, IV ENA, 3/6/2018).

Encontramos essa realidade comum a todas as comunidades quilombolas do país, com as especificidades de cada região/localidade. Na Zona da Mata não é muito diferente, como coloca o prof. de Geografia, Leonardo Carneiro, que trabalha com a temática e com o movimento quilombola da região: “Existem algumas singularidades quando pensamos em comunidades quilombolas na mesorregião da Zona da Mata mineira, dentre as quais destacamos: i) ações discriminatórias contra sua população; ii) conflitos pela posse da terra e perda de grande parte de seus territórios ancestrais; iii) grande conhecimento etnobotânico e etnofarmacológico; iv) produção de gêneros alimentícios diversos; v) existência de festas e manifestações culturais particulares; vi) recente (e crescente) articulação política entre elas” (Leonardo Carneiro, 2016). Mas além das denúncias, muitos anúncios se apresentam como grande riqueza dessas comunidades, como a resistência na produção de alimentos, a grande diversidade de manifestações culturais, como as festas de santo, o congado, entre outros; afinal, a existência das comunidades é em si manifestação da grandeza e da r-existência do povo negro. Aqui entendemos as comunidades negras rurais como as chamadas “terras de preto”, “mocambos”, “quilombos”, comunidades que se territorializaram a partir do declínio das grandes fazendas escravocratas e que conformaram uma “constelação de pequenas unidades produtivas, autônomas, baseadas no trabalho familiar, na cooperação simples entre diferentes grupos domésticos, e no uso comum dos recursos naturais” (Almeida, 1989).

Na Caravana teremos a oportunidade de perceber e vivenciar essas realidades, lançar os olhares sobre as denúncias e anúncios, sentir e discutir a identidade e os direitos quilombolas e avançarmos no fortalecimento e visibilidade dessas comunidades. Até o momento o projeto da Caravana, que começou no início do ano, realizou e participou de encontros e atividades como Encontro da Juventude das Comunidades Quilombolas e Tradicionais, XV Feijão de Ogum, X Troca de Saberes, visitas às comunidades quilombolas da região, entre outros, culminando agora na primeira caravana! “A Caravana Quilombola está acontecendo! ”, nos diz Farinhada, e explica que o próprio processo de sua construção constitui os caminhos da Caravana, e por onde a Caravana passa, ela acolhe mais e mais gente!

Mestre Boi bateu o tambor e cantou: “a caravana mandou me chamar! Vamos lá, vamos lá! caravana mandou me chamar! Vamos lá, vamos lá!!!! Serão cinco as rotas da Caravana: a) Piranga (quilombos) b) Cachoeirinha - São José do Triunfo – Buieié (Viçosa) c) Córrego do Meio: da nascente do córrego até a foz do rio Turvo Limpo no Rio Piranga (em Guaraciaba) d) Ponte Nova – Guaraciaba – partindo da comunidade Ganga Zumba e) Morro do Rebenta (Viçosa), Comunidade Rua Nova (Viçosa), e comunidade de Chácara (Distrito de Airões, mun. Paula Cândido) A Caravana está chegando e chamando! Venha somar!!! É importante que tragam seu kit militante (prato, talheres, caneca), mudas e sementes para trocar e presentear as comunidades e alimentos para os momentos de partilha! Quem for dormir por aqui, traga roupa de cama e toalha de banho. Para dúvidas e contato: Roberta: 31- 99594-0642 Padeiro: 31- 99286-5476 Marilda: 31- 99438-9438 Isabela: 21 - 98628-1902

 

 

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